segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Princesa da Culpa (Princess of Guilt) - My Little Pony Creepypasta

     Celestia observa a noite. Antes, quando a imagem da Lua do Pesadelo estava estampada na lua, o brilho era tão fraco que mesmo os pôneis que apreciam as madrugadas ou os animais noturnos que naturalmente a preferem, evitavam sair de suas tocas. Trocavam a noite pelo dia. Todos eles. Corujas então, como Celestia havia sentido falta de seus sons soando noite a dentro. Tudo mudou pra melhor, não é? Luna foi resgatada pelos elementos da harmonia! 

E finalmente a noite pode brilhar de novo.

    Antes de ir se deitar, suspirando, Celestia se vira e segue o corredor rumo ao quarto da porta azul com estrelas. Engole em seco ao abrir devagar a porta do quarto da irmã mais nova.

- Luna?

A Princesa pergunta, só o silêncio responde. A grande alicórnio se abaixa para que seu chifre não arranhe, entrando no cômodo emitindo uma luz fraca com sua magia. Luna ainda está no mesmo lugar, na mesma posição. 

- Irmã, ainda está doendo?

Ela ergue as orelhas esperando uma resposta.

Nada.

- Escute Luna, sei que disse que dói para falar, mas assim não vou conseguir te ajudar...

Um pequeno movimento no cobertor. A Princesa encolhida consegue fazer uma forcinha e coloca o focinho para fora.

- Dor... muita... cof-

Uma sequência de tosses secas sai pela garganta de Luna. Celestia a encara, um desgosto amargo surge em sua boca. 

"Será que isso é culpa minha? A bani para a Lua sem comida, sem água, vai saber o que pode ter a deixado doente naquele clima congelante. Nem sei o que tem naquela superfície! Onde eu estava com a cabeça?"

- Vai ficar tudo bem irmã. Eu irei te curar, prometo. Aguente só mais um pouquinho.

Celestia usa sua magia para erguer a garrafa de água de cima do criado mudo, ajudando Luna a beber alguns goles. A alicórnio azul estremece, a água parece ajudar a aliviar um pouco a ardência. Luna volta a dormir logo em seguida.

Celestia fecha a porta devagar, girando a maçaneta com cautela. Ela anda a passos largos em direção a sua suíte, segurando as lágrimas. Não, Luna não ia perecer. Ela não pode! Acharia uma cura para o que quer que seja aquilo, a qualquer custo.

    No dia seguinte, Celestia faz panquecas com carinhas felizes de mirtilo. Ela come escutando o som dos pássaros. Como queria que sua irmã a acompanhasse... Mas em seu estado, nem andar até ali conseguiria. 

De repente seu chifre brilha, e uma carta surge em sua frente. É Twilight.

"Cara Princesa Celestia,

temos um problema. Muitos pôneis estão tendo pesadelos horríveis dês de que Princesa Luna voltou a Equestria. Relatos de insônia também estão aumentando a cada dia. Pinkie Pie está... muito mal. Sua crina murcha com qualquer coisinha. Ela fala sobre um pesadelo onde costura vestidos com pele de pônei. O brilho em seus olhos está apagando. 

Rainbow Dash não tem mais energia para seus exercícios físicos, voar ficou difícil pois seus musculos doem. Ela tem um pesadelo onde persegue alguém dentro de uma fábrica colorida. Diz que se move dormindo, seu corpo em alerta a noite toda... Nem consigo imaginar sua dor.

Toda a família da Applejack está sonâmbula, eles andam pelo pomar, parecem assombrações. Applebloom felizmente consegue dormir após algumas horas, mas os outros... eles apagam, mas continuam acordados em suas mentes. Pelos relatos, é claro. Applejack está soando mais dramática que a Rarity. E por falar nela... digamos que as noites sem dormir estão a deixando... instável. Sweetie Belle diz que não pode a deixar sozinha, pois ela pega uma de suas tesouras de tecido e tenta se machucar.

Fluttershy diz estar bem. Parece que essa maldição do sono não a atinge tanto. Eu pedi que Spike ficasse lá com ela em alerta e me avisar se algo fora do comum acontecer.

Quanto a mim... Estou sem sono, Princesa. Passo horas e horas e mais horas sem dormir, mas nenhuma gota de sono surge. 

Você sabe o que está acontecendo, majestade?

A Princesa Luna está bem?"

Um soco no estômago, é a expressão para descrever o que Celestia sentiu ao terminar de ler aquela última frase. A doença de Luna está afetando o sono dos pôneis, todos estão doentes e a culpa é sua! Por que não escolheu uma punição mais leve? Que bela princesa você é!

A dor e raiva de si mesma tomam o corpo da alicórnio, que sai voando em disparada até os elementos da harmonia. Ela destranca a porta do cofre e congela, percebendo que não estão ali.

- NÃO! Onde...

É claro, estão com Twilight. Como o nervosismo a atrapalha. Celestia respira fundo e segue até a casa da árvore biblioteca. Ela pousa e entra pela varanda. Tudo está escuro e silencioso lá dentro. 

Dando de ombros, a Princesa usa sua magia para detectar os Elementos, os achando facilmente. Ela os pega e se prepara para voltar ao castelo. Eles purificam a terra, derrotam monstros, com certeza curar uma doença desconhecida será fácil! 

Com um bater rápido de asas Celestia chega até o pátio do castelo, correndo quase derrubando os pôneis pelo caminho. 

- Luna!

Celestia para. Seus olhos arregalam, suas pupilas diminuem. O pânico começa a surgir em seu coração.

Um de seus soldados acaba de sair do quarto da irmã mais nova, se deparando com a Princesa no corredor. A expressão em seu rosto é de puro choque.

- O que está fazendo?! O que você viu?!

Celestia bufa, se aproximando com raiva do pônei enxerido.

- Ia perguntar a Princesa Luna se esta tudo bem... Mas... ela não está.

A alicórnio empurra com força o pônei contra a parede, que bate a cabeça desmaiando no piso. Celestia entra correndo e se joga sob a irmã, pegando os elementos da harmonia e colocando em seu corpo.

- Vamos, funciona! Funciona!

Os elementos permanecem apagados. Celestia chora, suas lágrimas molham o colchão. Um cheiro de sangue surge no ar.

- ... Luna...?

Celestia usa sua magia para virar o rosto da irmã para si, e a visão que se seguiu a fez gritar.

Luna está morta. Sua boca manchada de sangue. Seus olhos virados para dentro do crânio. Uma expressão de dor. Anormal. Podre. Morte.

O que iriam pensar dela agora? Uma assassina.

Não. Jamais. 

Vocês iam governar juntas de novo, não pode deixar acabar assim Celestia! Talvez os elementos possam...

"Ugh"

O pônei guarda está acordando. E agora? Pense Celestia pense.

Ele descobriu, ele vai contar.

Não. Ele não pode. Ninguém pode saber disso. Ninguém pode saber que a Princesa Celestia condenou a sua própria irmã a morte.

Os saltos da Princesa fazem barulho de metal ao ressoar no piso fino. Sua face está neutra, seus olhos vermelhos, a respiração baixa.

- Ma-majestade...

O pônei claramente tonto ergue o casco na esperança de conseguir ajuda. 

Mas o que recebe... é a escuridão.

- Desculpe. 

Celestia fala antes de explodir a cabeça do pônei com uma magia violenta. Sangue jorra pelas paredes, uma boa parte respinga no pelo branco da Princesa.

O resto do corpo seria posto em sacos de lixo e descartado para a criatura mais próxima devorar até os ossos.

O poderoso chifre brilha mais uma vez.

"Cara Princesa Celestia, 

acabou. A maldição acabou. Todos os pôneis estão tão exaustos! Eles almoçaram e foram dormir. Fico feliz por eles.

Mas eu ainda não sinto sono. Não estou sentindo cansaço, é como se minha energia fosse infinita. 

Irei te visitar para um melhor relatório em breve. 

Atenciosamente, sua pupila Twilight Sparkle."

Celestia queima o pergaminho. Acabou. Sua irmã estava amaldiçoando a todos. Mas a culpa ainda te corroe por dentro. Queima como uma tocha. 

Um som de uma xícara se espatifando no chão é escutado logo atrás de Celestia. Uma das pôneis serviçais do castelo apareceu em uma péssima hora.

A pobre pônei solta um berro que percorre todo o castelo.

Celestia treme de raiva.

NINGUÉM.

PODE.

SABER.

A Princesa voa lançando um laço cortante de magia, que decapita a serviçal antes que pudesse reagir. Mais gritos, mais sangue. Ela continua trotando pelo castelo, acabando com qualquer um que surgisse em seu caminho. Os guardas a veem coberta de sangue e tentam correr, mas com apenas uma magia a poderosa alicórnio ferve a pele deles, se fazendo fundir ao metal da armadura pesada. Os pegasus que trabalhavam no castelo tiveram suas asas arrancadas para morrerem sufocados pela magia de sua amada Princesa. Os unicórnios tiveram o mesmo destino cruel, sentindo seu sangue explodir de dentro para fora.

Todos que estavam no castelo morreram naquele dia. O pelo branco já não existe mais, só resta o vermelho.

Quando Celestia se deu por satisfeita, ela volta ao quarto de sua irmã, acendendo a luz.

- Sinto muito. É culpa minha.

Ela tira um de seus sapatos para acariciar o rosto da irmã. O sangue da boca já está seco.

Celestia chora, soluçando. Após uns minutos, ela levanta e enxuga o rosto. Saindo do quarto para limpar a bagunça que fez.

- Darei um jeito, minha cara irmã. Onde quer que esteja, que a Lua possa te guiar perante a escuridão, assim como guia os pôneis e animais que vivem na noite.

Dois dias depois

    Twilight chega trotando até a porta do castelo. Ela está com Spike e Rainbow Dash, que faz suas clássicas piruetas giratórias no ar.

- Mau posso esperar pra agradecer a Princesa por ter dado um jeito na maldição do sono! Ficar sem voar foi a pior experiência da minha vida gata.

Spike da uma revirada de olhos antes de responder.

- Bem, conhecendo a natureza dela, não sei se foi mesmo a Celestia que deu conta da maldição.

- Spike! Não fale assim da Princesa. Praticamente no mesmo momento em que mandei aquela carta a maldição parou, só pode ter sido ela.

Twilight responde enquanto sobem a escadaria até a porta do castelo. 

- Que engraçado, não era pra ter dois guardas aqui?

Dash pergunta.

- Era mesmo... será que aconteceu algo?

Twilight usa sua magia para abrir a porta. Spike chama por alguém, mas apenas o eco responde. 

- Que esquisito. Parece até que está abandonado.

O dragão fala, olhando assustado para a escuridão. Os três se entreolham e decidem seguir porta a dentro. Um cheiro forte de metal invade seus focinhos, ficando mais forte conforme se aproximam da sala do trono. Ao chegar, alguma coisa esta parada ali, olhando fixamente para a parede.

- Princesa... Celestia?

Twilight pergunta para a figura virada de costas. A crina agora não brilha, sangue seco está grudado por todo seu corpo, e o cheiro forte de cadáveres apodrecidos emana pelo cômodo.

- Ninguém...

A Princesa se levanta, virando rápidamente na direção dos pôneis. O rosto ensanguentado de uma face perversa, olhando no fundo de suas almas. 

Rainbow nota que a algo errado, e se joga na frente dos dois amigos.

- CORRE TWILIGHT!

E Celestia finca os cascos no chão a frente deles antes de atacar, dizendo:

- Ninguém pode saber.

Que a culpa

é minha.








quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Aquele lugar

Certa vez quando fui posar na casa de uma falecida amiga, sua mãe chegou e me entregou um panfleto de emprego.

- Sei que está passando por dificuldades dês de que Ana morreu. Você devia fechar a loja e procurar algo que realmente de algum retorno.

Fiquei deitada na cama de solteiro que pertencia a Ana enquanto lia e relia a oferta. R$3.000,00 meio período. Madrugada.

Acredito que ela me entregou justo esse por causa do meu problema de sono. Eu durmo de dia e passo a noite acordada dês da adolescência. Amacei o papel e joguei pela janela, me cobrindo com as cobertas de Ana, tentando sentir sua presença pelo olfato. Os olhos não lacrimejam mais, faz tempo.

O papel do panfleto se desdobrou com a força do vento, deslizando sutilmente por baixo da porta daquela casa. Na sala, a mãe de Ana e sua irmã não perceberam, até pisando em cima.

Após uma noite de estudo sobre períodos de venda e marketing, apaguei por cerca de 5 horas até acordar com latidos do cachorro da família. Senti uma pontada de fome, resolvi andar até a cozinha beliscar os biscoitos velhos do pote de vidro empoeirado. Tinha gosto de velho, mas ela gostava.

Escorreguei no tapete da sala, caindo de bunda no chão de madeira.

- AI! Droga!

Falo meio alto, sempre desatenta. Meu olhar segue pelo chão procurando pelo tapete, até focar no panfleto da vaga de emprego. Amassado. Pisado. Mas era o mesmo.

Solto um suspiro e me levanto, arrumando o tapete no lugar e pegando o panfleto com a ponta dos dedos. 

"Sorveteria Jersey's?" 

Essa era a sorveteria preferida da Ana. Um quentinho surge em meu peito, choraria se ainda tivesse alguma lágrima sobrando. Aperto o panfleto, quase rasgando, e mando uma mensagem pelo número do celular escrito no papel liso.



sábado, 14 de junho de 2025

Nia e a Morte

 Olho para a janela. Tudo que vejo me assusta. 

  • - Não, não pode ser verdade! 

A Morte ao meu lado se pergunta qual é o problema. 

  • - Tem que haver outra maneira, esse não pode ser o único caminho. 

As imagens que a janela mostra são mensagens de chantagem emocional. Eu o forço a fazer o que eu quero por meio de ameaças e choro. É horrível, se eu sonhasse com aquilo, seria o pior dos pesadelos. 

A Morte não entende minha reação.  Ela boceja e fala calmamente como sempre. 

  • - De todos os futuros possíveis esse é o único em que você se casa com ele. É o único caminho. 

  • - Não! Eu não vou falar essas coisas, tem que haver outro jeito. 

  • - Ele nasceu para ficar sozinho. Livre. Seu destino natural não é casar e ter uma família. Ele ama essa liberdade.  

  • ... 

  • - Apesar de te amar bem mais. 

Lágrimas rolam por minhas bochechas. Meu rosto em chamas. 

  • - Você ainda não percebeu criança? 

Ela colocou a mão delicadamente em meu queixo, virando meu olhar para si. 

  • - Pode escolher entre ter um casamento feliz com o amor para sua vida, ou viver infeliz ao lado do amor da sua vida. 

Começo a chorar mais. A dor rasga meu peito. 

  • - Por que, por que não posso o fazer feliz? 

A morte não tem sentimentos, mas naquele momento, podia jurar que a vi sorrir. Um sorriso empático. 

  • - Algumas pessoas só podem ser completas sozinhas. 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Crimes vol.1

Nia chega à delegacia perto das oito da manhã. Cauê e Vitor já estavam por lá, ambos ocupados com casos antigos que ainda não tinham sido resolvidos.

— Aquela menina confessou tudo, não? — perguntava Cauê a Vitor quando Nia passava por eles, a caminho de sua mesa.

— Na verdade, a mãe dela confessou que a obrigou a fazer uma confissão falsa — respondeu Vitor.

O clima estava muito tedioso naquela manhã. Nia imaginava que seria monótono como nos outros dias. Porém, Carol, a chefe da delegacia, entra batendo a porta de vidro da ala onde estavam.

— Nia, preciso que você pegue umas coisas para mim lá embaixo, onde guardamos as armas dos crimes. Vitor, Cauê, encontrem o Neto lá fora e vão até a igreja.

Cauê fica espantado e pergunta:

— A igreja?? Por quê??

Carol abaixa o olhar; a luz cinza refletia em seus olhos escuros.

— A Steff foi assassinada. Encontraram seu corpo esticado em cima da pia batismal. Ao que parece, ela foi afogada, e há marcas nos pulsos. Ah... ela também estava seminua.

Nia põe a mão na boca. Como aquilo era possível? Steff havia conversado com ela no dia anterior! Ela se levanta e tenta passar pela porta, mas Carol a impede.

— Me deixa ir com eles! Eu vou descobrir quem fez isso!

— Calma. Você vai depois. É a única que consegue se achar lá embaixo. Preciso daquele fio de nylon que foi encontrado nos pulsos do Morige.

— Mas… mas o Morige? Achei que o assassino tivesse se matado logo depois de...

— Eu também achei. Mas as marcas nos pulsos da Steff são idênticas às do corpo dele.

Nia fica em choque. Quem quer que tivesse matado o Morige… havia sumido completamente. Nem o FBI foi capaz de encontrá-lo.

A escada que levava ao depósito era velha, de ferro enferrujado, rangendo a cada passo. Lá embaixo, o breu era quase total. Nia segurou firme o corrimão e desceu devagar, tateando. Cadê a porcaria das lâmpadas?

Uma janela empoeirada deixava entrar apenas filetes de luz, iluminando fracamente as prateleiras de ferro. Ela sabia exatamente onde o fio estava: última prateleira, lado esquerdo da parede.

Andava com cuidado, tentando não esbarrar em nada, quando um barulho seco soou atrás dela — algo havia caído.

Ela se virou num sobressalto. Ia sacar a arma... mas tinha deixado na mesa. Merda.

Outro som. Murmúrios. Fracos, abafados.

Ela tateou o bolso, encontrou o celular e ativou a lanterna. Caminhou na direção do barulho, decidida a não fugir. A luz iluminou uma cena inesperada.

— AAAAAAAAAAAAAAAAA!

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

— BEN! AYA! Quantas vezes eu já falei pra vocês não se pegarem aqui embaixo?!

— Desculpa, desculpa! — Aya respondeu, sem saber onde enfiar o rosto. — É que hoje é sexta, achamos que não teria ninguém...

— E você veio aqui pra quê, afinal? — Ben empurrou Nia, nervoso.

— Você acha que eu vim aqui por nada? Teve um assassinato!

— E daí? Sempre tem assassinato — resmungou Ben, erguendo o tom de voz.

Nia cerrou os olhos, tentando controlar as lágrimas.

— Steff foi morta.

O silêncio caiu como uma pancada. Os dois empalideceram.

— O... o quê?

— Carol acha que foi o mesmo cara que matou o Morige.

Aya desabou em choro. Ben a envolveu num abraço e começou a guiá-la para fora.

— Desculpa por isso...

Nia respirou fundo e voltou à sua busca. Após alguns minutos, encontrou o fio de nylon e, logo em seguida, o celular vibrou.

Yukinho:
Oi, mo. Trabalho tá chato como sempre?
09:37

Ela sorriu levemente, mas não respondeu. Em vez disso, abriu a última conversa com Steff.

Steff:
Consegui terminar o quebra-cabeça!
Ontem 22:01

Nia:
Que legal.
Ontem 22:01

Steff:
Vou enquadrar e comprar outro. Qual você acha mais bonito? Uma paisagem ou um animal?
Ontem 22:02

Nia:
Em quebra-cabeça, prefiro paisagens.
Ontem 22:03

Steff:
Queria poder ir hoje, mas o shopping fica meio longe. Vai ficar muito tarde.
Ontem 22:05

Nia:
[Sticker de cachorro]
Ontem 22:05

Ela releu a última frase várias vezes. “Vai ficar muito tarde.”

Muito tarde? Dez da noite já é tarde, e Steff sempre se deitava as 20h.

Correndo para fora do depósito, Nia sai da delegacia com sua arma carregada na cintura. Sobe em sua moto e acelera em direção à casa de Steff, que ficava a cinco quarteirões dali. Enquanto o vento batia em seus cabelos, um ódio antigo começava a despertar como fogo em sua garganta.

Em apenas cinco minutos, Nia chega. A porta está aberta, e um choro pode ser ouvido lá dentro.

— Eu juro que não sei quem pode ter feito isso!

Uma voz feminina e rouca repetia essa frase sem parar. Nia entra e encontra Filipe interrogando a mãe de Steff.

— Filipe, o que está fazendo?

— Tenho que achar o desgraçado que fez isso! Mais uma das nossas foi morta! Eles vão nos matar um por um, Nia! Um por um!

— E você acha que a mãe dela vai saber de alguma coisa?

— Ela disse que sabia que a filha ia à igreja com o Yuki, mas que não fazia ideia de que seria tão tarde.

— Espera… com quem??? Yuki? Impossível.

— É por isso mesmo que ela tá mentindo! — Filipe bate na mesinha de centro. O vaso em cima balança e cai de lado, sem quebrar.

Nia ia perguntar se Steff havia saído, mas já tinha a resposta. Ia se encontrar com alguém… que provavelmente fingiu ser o Yuki.

O toque do celular de Filipe chama a atenção de Nia.

— Alô? Não, não consegui nada de útil. Ir buscar os pertences da Steff? Eu estou meio ocup...

Nia cutuca Filipe e sussurra:

— Fala que eu posso ir buscar os pertences.

— Ah... ahn? Espera aí, Carol, a Nia pode ir buscar os pertences. Certo. Tchau.

Ele desliga.

— Pode ir. Vou levar a mãe da Steff para a delegacia dar o depoimento.

Nia sai correndo e monta novamente na moto. Ela sabia exatamente como poderia encontrar o assassino. Acelerando mais do que o permitido, chega à igreja em três minutos. Os policiais e a ambulância já cercavam o local.

Nia avista Vitor carregando uma caixa.

— E aí, Nia. Não vai querer entrar lá. Até o cara da perícia vomitou.

— Nem quero. Esses são os pertences?

Ela chega mexendo nas roupas de Steff.

— Ei, calma aí! Acho que você não pode fazer isso.

— Se for pra encontrar o assassino, então eu posso.

Ela finalmente acha o celular de Steff. Estava sem senha. Vai até as últimas mensagens e...

— Eu sabia — diz Nia, o ódio corroendo seu corpo. Ela termina de ler a conversa. A última mensagem era:

Desconhecido:
Agora que já me resolvi com você, vou ir ajudar meu irmão.
Hoje 09:15

Espera aí. Essa mensagem é…?

Nia larga o celular no chão e corre desesperadamente para sua moto.

— Ô! Que isso, Cole?! — Vitor arregala os olhos sem entender. Ele pega o celular e lê. — Ah, mano… não pode ser.

Correndo mais rápido que o voo dos pássaros, Nia tinha certeza de que ia levar uma baita multa. Chega no apartamento e sobe as escadas quase tropeçando. Arromba a porta e aponta a arma para a cena horrenda à sua frente.

— Sua desgraçada! Larga ele!

Severina estava de costas. Com uma mão, segurava os pulsos de Yuki acima da cabeça. Com a outra, passava uma faca entre suas pernas.

— Hmm? Quem ousa atrapalhar meu momento íntimo com meu irmãozinho?

Yuki estava com os olhos arregalados, ofegante, desesperado. Uma faixa na boca o sufocava. Ele olhava para Nia, chorando e tentando respirar.

O ódio avassalador fazia Nia tremer.

Severina se vira devagar, assustada ao ver a arma.

— Se afasta. Ou eu juro que a Peste Negra vai parecer piada perto do que eu vou fazer com você.

Severina solta a faca e larga Yuki, que se encolhe no chão. Ela ergue as mãos e vai andando para os fundos. Nia tenta alcançá-la, mas Severina corre, desviando dos golpes. Consegue sair pela porta da frente, mas escorrega no tapete e rola escada abaixo. Toda ralada e tossindo sangue, vê-se sem forças para levantar.

Nia desce degrau por degrau, com a arma apoiada no ombro. Seus óculos escuros estavam sujos por causa das viagens de moto. Ela os levanta sobre a cabeça parando em frente a assassina.

— Eu disse pra ele se afastar de você. Mas aquele teimoso não me escuta.

Severina murmura, chorando.

— Eu devia te dar um tiro bem no meio da testa, sua psicopata! Como você pôde matar a Steff? Sua própria filha!

Mau erguendo a cabeça, ela responde com a voz fraca:

— Ela não queria seguir os passos de Cristo. Tente entender, Cole… tudo o que eu faço… é em nome do Senhor.

Nia coloca a bota sobre a cabeça de Severina, pressionando contra o chão.

— Quero ver seu senhor te salvar agora.

Ela aponta a arma para sua testa.

Até que uma pancada forte atinge a cabeça da detetive. Nia cai, desmaiada.

— Pode me chamar de Jesus, filha da puta.

Severina ergue os olhos e estende a mão, sorrindo.

— Eu sabia que ia me encontrar, docinho!

— Claro que eu ia, amorzinho — responde Neto, sorrindo. Ele segura a mão de Severina e a ajuda a se levantar.

— E agora, o que faremos com ela?

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Traição

 Isso não é justo. Eu me sinto devorada viva! Você arrancou todas as minhas tripas e me deixou ali pra morrer, enquanto eu vazo em sangue.  

Vazando, é isso que eu sinto, sinto que o líquido viscoso que corre em minhas veias se tornou um veneno e está me matando aos poucos. Isso dói. Isso é irritante. 

Como pode dizer que fez isso só pra me agradar??? Quem que faz uma coisa dessas só pra agradar alguém??? Admita que você também queria! ADMITA! 

A raiva está me consumindo e não quer parar.  

Socorro meu deus.  

Eu sinto arder, arde em chamas, arde muito, nossa senhora como arde. 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Mensagem

 Não sabia o que estava acontecendo quando li aquela mensagem. Apenas riscos e mais riscos, sem sentido algum. Enviada as 21:00 de uma fria segunda-feira, saindo do trabalho morrendo de fome e cansaço. Pense mais um pouco. Quem poderia escrever aquilo? Algo tão específico, bonito mas ao mesmo tempo duvidoso. 

- Não acho que seja um problema, apenas apague a mensagem.

Por que? E se alguém precisar de ajuda?

- Mas nem quer dizer nada.

Como você sabe? Foi você que enviou por acaso?

- Não, mas, cara você esta deixando algo tão pequeno subir a cabeça.

Dou uma risada sincera e faço sinal de negação, como se fosse maluco. Como se a voz fosse burra e apenas minha mente estivesse certa sempre. Tudo bem, alguém pode ter mandado a mensagem pro número errado, acontece. Mas sabe, quais as chances? Todo mundo confere a foto de perfil e o número antes de enviar, certo?

- Você sempre faz isso, sempre fica paranoico com coisas simples.

Pisco algumas vezes. Meus olhos ardem por encarar a tela brilhante por tanto tempo. Tento responder, mas meus dedos não se movem. Permaneço congelado até minha mão começar a tremer. Por favor volte pra mim. Leio de novo e de novo. Meus lábios começam a tremelicar, sinto o frio percorrer todo meu corpo. Tento engolir em seco, mas a garganta nem a língua se movem do lugar. Tento desviar o olhar da tela sentindo meu coração acelerar e a ansiedade estourar em minha mente. 

Estou tentando, eu juro que estou tentando.

- Você esta deixando algo tão pequeno subir a cabeça.

- Você sempre faz isso, sempre fica paranoico com coisas simples.

Princesa da Culpa (Princess of Guilt) - My Little Pony Creepypasta

      Celestia observa a noite. Antes, quando a imagem da Lua do Pesadelo estava estampada na lua, o brilho era tão fraco que mesmo os pônei...