Não sabia o que estava acontecendo quando li aquela mensagem. Apenas riscos e mais riscos, sem sentido algum. Enviada as 21:00 de uma fria segunda-feira, saindo do trabalho morrendo de fome e cansaço. Pense mais um pouco. Quem poderia escrever aquilo? Algo tão específico, bonito mas ao mesmo tempo duvidoso.
- Não acho que seja um problema, apenas apague a mensagem.
Por que? E se alguém precisar de ajuda?
- Mas nem quer dizer nada.
Como você sabe? Foi você que enviou por acaso?
- Não, mas, cara você esta deixando algo tão pequeno subir a cabeça.
Dou uma risada sincera e faço sinal de negação, como se fosse maluco. Como se a voz fosse burra e apenas minha mente estivesse certa sempre. Tudo bem, alguém pode ter mandado a mensagem pro número errado, acontece. Mas sabe, quais as chances? Todo mundo confere a foto de perfil e o número antes de enviar, certo?
- Você sempre faz isso, sempre fica paranoico com coisas simples.
Pisco algumas vezes. Meus olhos ardem por encarar a tela brilhante por tanto tempo. Tento responder, mas meus dedos não se movem. Permaneço congelado até minha mão começar a tremer. Por favor volte pra mim. Leio de novo e de novo. Meus lábios começam a tremelicar, sinto o frio percorrer todo meu corpo. Tento engolir em seco, mas a garganta nem a língua se movem do lugar. Tento desviar o olhar da tela sentindo meu coração acelerar e a ansiedade estourar em minha mente.
Estou tentando, eu juro que estou tentando.
- Você esta deixando algo tão pequeno subir a cabeça.
- Você sempre faz isso, sempre fica paranoico com coisas simples.
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